Projeto que a Fundação Vingt-Un Rosado participa é destaque em revista da UERN

Sonho de América

Manhã de agosto e a jovem Flávia Raquel, 19 anos, chega à Unidade Básica de Saúde Maria Neide, no bairro Costa e Silva, em Mossoró, com o pequeno  Nicolas Edson de apenas um mês no colo. De olhar esperto, aparentemente, ele é um bebê saudável, mas a mãe quer ter a certeza disso. E vai poder fazê-lo, assim como tantas outras famílias, graças ao projeto “Sonho de América”.

Foi pensando na prevenção que seu José Wellington e dona Francisca, que antes moravam no Sítio Trapiá, município de Assú, levaram a filha Ana Patrícia, de 3 anos, para fazer o acompanhamento das vacinas e checar a saúde da criança. “Graças a Deus, a gente tem essa assistência”.

Idealizado e executado há cinco anos pelo pediatra Dix-sept Rosado Sobrinho, da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), o projeto tem como propósito cuidar e estimular o hábito de leitura, levando saúde e cultura para crianças carentes do município de Mossoró.

“Entrei na Medicina com esse sonho de um dia poder atender gratuitamente em comunidades rurais onde o acesso à saúde pública é sempre mais complicado”, afirma Dr. Dix-sept, que resolveu batizar o projeto com o nome da mãe, América. Com formação acadêmica em  Serviço Social, na então Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte, hoje, UERN,  dona América Rosado se notabilizou nos meios culturais do Estado pela atuação intelectual ativa ao lado do marido, professor, historiador e escritor,  Vingt-un Rosado, e pela  participação em projetos sociais. E o “sonho de América” tem esse caráter, assegura Doutor Dix-Sept,  que juntou à sua vontade de servir à população e uma homenagem a mãe, dois anos depois da morte dela, recorrendo, ainda, à Coleção Mossoroense, editora criada pelo pai.

Tido como um dos mais importantes projetos de extensão na área da saúde, “Sonho de América” é o único atendimento do teste do olhinho gratuito no município e serve também como aula prática da disciplina de pediatria e estágio para os últimos períodos.

Participando pela primeira vez, a acadêmica do 8° período de Medicina, Samara Rodrigues, ficou impressionada com a presença dos pais com as crianças na UBS. “Ver a adesão ao projeto nos deixa muito feliz”, destacou, conceituando o Sonho de América como um expressivo campo de estágio já que, a partir das consultas que são feitas pelos alunos, com acompanhamento do professor Dix-Sept, o futuro médico vai se acostumando com a realidade que enfrentará ao entrar no mercado de trabalho.

A alegria pelo sucesso do projeto não está apenas na saúde do corpo. “Cuidamos da saúde do corpo e da alma dessas crianças”, diz o já quase médico Ronaldo Lima. Estudante do 12º período, ao lado do preceptor da Residência Médica Multiprofissional, Reinaldo Nascimento, ele se veste de palhaço e distribui balas e gracejos. Os dois executam o projeto “Captação de Crianças com CED – Crescimento e Desenvolvimento Infantil”, da colega Ana Carolina, do 10º período de Medicina. A futura cirurgiã toráxica percebeu que a figura do palhaço era um forte atrativo para as crianças e mães buscarem o atendimento.

Egresso – Formado pela UERN, o médico Rudá Morais não escondia a emoção em estar no plantão como profissional, dividindo assistência com o ex-professor Dix-sept Rosado Sobrinho. “Como médico residente, vejo a importância desse projeto. Ele atende uma demanda reprimida”, exalta, completando que viveu a experiência dos estudantes que estão no projeto como um dos participantes do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde – PET SAÚDE.

O “Sonho de América” já diagnosticou inúmeros casos de catarata e outras deformidades congênitas. Os pacientes são encaminhados para tratamento oftalmológicos.

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“Desce aí, um cachorro quente”

O médico Dix-Sept Rosado tem muitas histórias de superação e cura de doenças, nestes últimos cinco anos de projeto. Mas também tem fatos pitorescos na longa trajetória até concretizar o sonho.

Uma das curiosidades diz respeito ao trailer para o atendimento. O projeto nasceu com o objetivo de chegar à zona rural e havia necessidade de um consultório móvel. Um dia, passando em uma das ruas de Natal, doutor Dix-sept viu um trailer à venda amarrado a um poste. Era a oportunidade que esperava.

Ele comprou o carro-reboque, improvisou o consultório e saiu zona rural à dentro. Vez por outra, alguns alunos gritavam: “Solta aí, um cachorro quente”, brincavam, comparando o consultório rural a uma lanchonete móvel.

O velho e providencial trailer durou mais de 4 anos. Há pouco mais de um ano, por meio da Fundação Vingt-Un Rosado, o projeto conseguiu outro com o SESI. As condições de atendimento melhoraram bastante, mas não é por falta de espaço que os moradores do campo deixaram de ser atendidos. Teve consultas dentro de casebres e até debaixo de uma sombra de uma árvore. O importante é que o sonho de América está fazendo a população ver mais longe.

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